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Cristiana Ventura não se tornou artista, nasceu artista. Sim, ela fez faculdade de moda e cursos de desenho, que ajudaram a soltar a sua mão e aprimorar a técnica, ganhar os macetes da profissão. Mas, desde cedo, pensava e agia como esses seres inquietos, questionadores e, sobretudo, expansivos, que não têm medo de liberar no universo aquilo que veem e sentem.

De Santos, litoral paulista, partiu para São Paulo. Depois, Londres. E teve a Índia, a Ásia inteira. Desse mix cultural absorveu o material de que precisava. Criou uma marca, a Hoxton, fez festas emblemáticas, pintou murais, telas, mesas, o que aparecesse na sua frente. Participou de experimentos se colocando na pele de uma muçulmana. Expandiu. Expandiu o olhar, a mente, a alma. Se doou. Criou uma loja temporária para doar roupas a moradores de ruas e refugiados, que mobilizou 25 voluntários em cada uma das ações.

Se retraiu também quando preciso. Não teve receio de ser tida como louca, se jogou em projetos novos, abandonou antigos quando já não acreditava mais neles. Leonina, faz jus ao Sol. Fala alto, se mexe, ocupa espaço. Não cabe em si. Daí sua variada produção. Daí sua vontade de ir sempre além, encontrar novos lugares, novas pessoas. Se encontrar pelo caminho. E deixar tudo registrado na forma de uma arte colorida, vibrante como ela.

Não, definitivamente não se aprende a ser artista. Se nasce, se vive e se morre artista. Uma raça à parte, da qual Cris certamente faz parte.

Cristiana Ventura por Renata Piza